Tipos de magnésio: diferenças reais, absorção e como escolher
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Quase metade dos adultos na Europa não atinge a dose diária mínima de magnésio. E entre quem já suplementa, a maioria toma uma única forma sem saber que cada tipo é absorvido por uma via intestinal completamente diferente. Este guia é sobre perceber essas diferenças para poder escolher bem.
Se alguma vez pesquisou "melhor magnésio" na internet, provavelmente acabou mais confuso do que antes. Óxido, bisglicinato, glicinato, citrato, treonato, malato, taurato... A oferta é enorme e a informação, muitas vezes, contraditória.
A verdadeira questão não é qual nome soa melhor. É perceber como funciona cada forma a nível bioquímico: por que razão umas se absorvem melhor do que outras, o que acontece depois de atravessarem a barreira intestinal e que efeito têm realmente sobre o sistema nervoso, os músculos ou o sono.
Vamos explicar com rigor. Mas sem complicar onde não é preciso.
Por que o magnésio é o mineral mais subvalorizado
O magnésio atua como cofator em mais de 300 reações enzimáticas. Síntese de ATP, transmissão nervosa, contração muscular, síntese de proteínas e ADN, regulação de GABA e serotonina. Não há sistema no corpo que funcione sem ele.
E, no entanto, é um dos défices nutricionais mais comuns na Europa. A EFSA recomenda entre 300 e 400 mg diários. Estudos com populações europeias mostram que uma parte significativa da população não atinge sequer 80% dessa recomendação. Em Portugal, os hábitos alimentares atuais tornam este cenário ainda mais provável.
A agricultura intensiva reduziu o teor de magnésio em frutas e legumes entre 20% e 30% nas últimas cinco décadas. Mesmo com uma alimentação rica em vegetais de folha verde e cereais integrais, é difícil atingir os níveis ótimos sem suplementação. Não somos nós que o dizemos - é o que indica o NIH Office of Dietary Supplements.
Vale a pena saber: O magnésio dispõe de alegações de saúde aprovadas pela EFSA para a função muscular normal, funcionamento do sistema nervoso e redução do cansaço e da fadiga (Regulamento CE 432/2012). Não são promessas de marketing - são alegações avaliadas por entidades reguladoras.
Como o magnésio é absorvido: as 3 vias intestinais
É aqui que a maioria dos artigos fica aquém. Dizer que uma forma "se absorve melhor" não chega. O que importa é porquê, e a resposta está nas vias de absorção:
Via paracelular (entre as células). O magnésio na forma iónica livre, como o que é libertado pelo óxido, é absorvido passivamente pelos espaços entre as células intestinais. Depende do gradiente de concentração e tem um teto de saturação relativamente baixo.
Via transcelular ativa (através das células). O magnésio quelado com aminoácidos, como o bisglicinato, é absorvido através dos transportadores de dipéptidos PepT1 na membrana do enterócito. É uma via ativa, com capacidade bastante superior, e que não compete com outros minerais como o cálcio ou o zinco. Este último ponto é importante.
Difusão facilitada. Os sais orgânicos como o citrato são absorvidos por uma combinação de ambas as vias, com elevada solubilidade mesmo quando o pH gástrico varia.
Os 3 tipos de magnésio que realmente importam (e o que cada um faz)
Óxido de magnésio: muita concentração em pouco espaço
O óxido contém 60% de magnésio elementar - o valor mais elevado de qualquer forma oral. Cada miligrama de óxido fornece mais magnésio puro do que qualquer outro sal.
A sua biodisponibilidade individual é moderada (entre 4% e 15% nos estudos), mas atenção às conclusões precipitadas. Como o teor elementar por dose é tão elevado, a quantidade absoluta absorvida pode ser comparável à de formas com maior percentagem de absorção mas menor concentração. Biodisponibilidade não é o mesmo que eficácia total. Muita gente confunde isto.
É absorvido pela via paracelular. Útil como base concentrada, com um ligeiro efeito antiácido como bónus.
Bisglicinato de magnésio: a forma que mais recomendamos
O bisglicinato é um quelato - magnésio ligado a duas moléculas de glicina. E há duas coisas que o tornam especial.
Primeira: é absorvido pelos transportadores de dipéptidos PepT1 do intestino delgado. Uma via exclusiva de aminoácidos. Não compete com outros minerais, não depende do pH gástrico, e tem uma capacidade de absorção bastante superior à via paracelular.
Segunda, e esta é a que menos se conta: a glicina não é apenas um veículo inerte. É o neurotransmissor inibitório mais importante do tronco cerebral e da medula espinal. Uma vez libertada, atua sobre recetores específicos do SNC, reduz a excitação neuronal e facilita o relaxamento muscular e a transição para o sono. Não é pouca coisa.
Se a sua principal preocupação é o descanso noturno, pode fazer sentido combiná-lo com Sleeep Premium, a nossa fórmula com melatonina, valeriana e ashwagandha. Mas para muitas pessoas, o bisglicinato por si só já faz uma diferença notável.
Citrato de magnésio: energia celular direta
Um sal orgânico de magnésio e ácido cítrico. Elevada solubilidade, absorção rápida, biodisponibilidade consistente. Até aqui, nada de surpreendente.
O que torna o citrato interessante é o seu papel no metabolismo energético. O ácido cítrico é um intermediário direto do ciclo de Krebs, a principal via de produção de ATP nas mitocôndrias. Fornecer citrato juntamente com magnésio é entregar simultaneamente o mineral cofator e o substrato energético. Dois coelhos de uma cajadada, bioquimicamente falando.
A forma preferida para desporto, recuperação pós-treino e fadiga por stress físico.
Comparação direta: óxido vs. bisglicinato vs. citrato
| Característica | Mg Óxido | Mg Bisglicinato | Mg Citrato |
|---|---|---|---|
| Mg elementar | ~60% | ~14% | ~15% |
| Biodisponibilidade | Moderada | Elevada | Boa-Elevada |
| Via de absorção | Paracelular | Transcelular (PepT1) | Mista |
| Efeito adicional | Antiácido ligeiro | Relaxante (glicina, GABA) | Energético (ciclo de Krebs) |
| Melhor para | Aporte base elevado | Sono, stress, relaxamento | Desporto, energia, recuperação |
| Tolerância digestiva | Boa | Excelente | Muito boa |
| Competição mineral | Sim (Ca, Zn) | Não | Mínima |
Um erro muito comum: assumir que biodisponibilidade = qualidade. O óxido absorve uma percentagem menor, mas fornece muito mais magnésio elementar por dose. O bisglicinato absorve uma percentagem maior, mas precisa de mais volume para atingir o mesmo aporte elementar. A combinação de ambos resolve esta equação. É matemática, não marketing.
Por que combinar três formas funciona melhor do que uma só
A maioria dos suplementos de magnésio utiliza uma única forma. Normalmente óxido, por ser a mais barata. Isto tem uma limitação bioquímica clara: cada via de absorção tem um ponto de saturação. Quando é atingido, o magnésio restante fica no intestino sem ser absorvido.
Ao combinar três formas que utilizam vias diferentes - paracelular, transcelular ativa e difusão facilitada - saturam-se três vias de absorção em simultâneo. Mais magnésio total chega à corrente sanguínea. E cada forma traz o seu próprio benefício: o óxido garante o aporte elementar elevado, o bisglicinato acalma o sistema nervoso e o citrato apoia a produção de energia. Não se anulam. Potenciam-se.
Analisámos mais de 40 suplementos de magnésio vendidos na Europa. A maioria utiliza uma única forma, sem cofatores de absorção e sem transparência sobre o teor real de magnésio elementar. É um mercado onde se vende muito "magnésio" sem especificar a forma nem a quantidade. E isso, na prática, não diz nada.
Triple Magnesium Complex
Óxido + bisglicinato + citrato de magnésio com vitamina C, B6 e zinco. Três formas, três vias de absorção. Com cofatores sinérgicos para máxima assimilação.
Como e quando tomar magnésio
Ou 30-60 minutos antes de deitar. O bisglicinato atua sobre os recetores de glicina e GABA, facilitando a transição para o sono.
O citrato repõe eletrólitos e alimenta o ciclo de Krebs. O bisglicinato apoia o relaxamento muscular noturno.
As gorduras alimentares melhoram a absorção. Manter pelo menos 8-12 semanas para corrigir o défice intracelular.
Sinais de que lhe falta magnésio
O magnésio sérico (da análise de sangue comum) não é um indicador fiável - apenas 1% do magnésio corporal circula no sangue. Os restantes 99% estão nos ossos, músculos e tecidos moles. Pode ter um valor "normal" na análise e apresentar défice funcional. O teste realmente útil é o magnésio eritrocitário, mas quase ninguém o pede.
Estes são os sinais mais habituais de hipomagnesemia subclínica:
Se se identifica com três ou mais destes sinais, um suplemento de magnésio pode fazer diferença em 2-4 semanas. Mas não nos fazemos de médicos. Se os sintomas persistirem, consulte um profissional de saúde. O Triple Magnesium Complex combina as três formas que explicámos, mas o primeiro passo é sempre descartar outras causas.
Para quem faz sentido este suplemento (e para quem não)
Uma parte significativa da população europeia segundo dados da EFSA. Se não come 5+ porções de vegetais por dia, provavelmente é uma delas.
O exercício intenso aumenta as perdas de magnésio pelo suor e pela urina. O citrato e o bisglicinato cobrem recuperação e relaxamento.
O bisglicinato atua diretamente sobre os recetores de glicina e GABA do sistema nervoso central.
Os rins são responsáveis por excretar o excesso de magnésio. Com função renal comprometida, pode acumular-se. Requer supervisão médica.
Betabloqueadores, bloqueadores dos canais de cálcio e glicosídeos cardíacos podem interagir. Consultar sempre o médico primeiro.
Precaução: Se toma inibidores da bomba de protões (omeprazol, pantoprazol), os seus níveis de magnésio podem estar comprometidos. Estes medicamentos reduzem a absorção intestinal de magnésio. Fale com o seu médico, sobretudo se os toma há mais de um ano.
Triple Magnesium Complex
Óxido + Bisglicinato + Citrato de Magnésio
Com Vitamina C, B6 e Zinco - 120 cápsulas vegetais - 2 meses - ISO 22000 & GMP
Ver Triple Magnesium ComplexPerguntas frequentes sobre tipos de magnésio
Bisglicinato e glicinato de magnésio são a mesma coisa?
Sim. O nome tecnicamente correto é bisglicinato (duas moléculas de glicina por cada átomo de magnésio), mas muitas marcas vendem-no como "glicinato" por ser mais simples. Mesmo composto, mesmo mecanismo de ação.
Posso tomar magnésio junto com vitamina D?
Sim, e aliás é boa ideia. A vitamina D precisa de magnésio como cofator para ser ativada no fígado e nos rins. Sem magnésio suficiente, a D3 converte-se pior na sua forma ativa (calcitriol). E por sua vez, a vitamina D facilita a absorção intestinal de magnésio. São sinérgicos. Se toma D3 sem magnésio, pode estar a deitar parte do dinheiro fora.
Quanto tempo demora o magnésio a fazer efeito?
Depende. Cãibras e sono costumam melhorar em 1-3 semanas. Para energia, recuperação e sistema nervoso, contar com pelo menos 8-12 semanas. O défice intracelular corrige-se de forma progressiva, não de um dia para o outro.
O magnésio causa diarreia?
Pode, se exagerar na dose. O magnésio não absorvido fica no intestino e atrai água por efeito osmótico. As formas de baixa absorção como o óxido puro em doses elevadas são as que mais problemas dão. Uma fórmula que combina várias formas reduz este risco porque a dose de cada uma é menor e utilizam vias diferentes.
É preciso fazer pausas com o magnésio?
Não. O magnésio é um mineral essencial que o corpo utiliza e excreta continuamente. Não necessita de ciclagem.
Quem deve evitar suplementar-se com magnésio?
Pessoas com insuficiência renal grave, porque os rins são os responsáveis por excretar o excesso. Também deve ser consultado o médico em caso de toma de betabloqueadores, bloqueadores dos canais de cálcio ou glicosídeos cardíacos. Para a população geral saudável, o magnésio em doses de 300-400 mg/dia é seguro. A EFSA fixa o nível máximo tolerável de suplementação em 250 mg/dia de magnésio elementar, separado da ingestão alimentar.
O Triple Magnesium é adequado para veganos?
Sim. Cápsulas vegetais de HPMC. Sem ingredientes de origem animal, sem glúten, sem lactose, sem OGM.
Fontes e referências científicas
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